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O bolão da Mega da Virada e Sucesso do Cliente: uma aula silenciosa sobre comportamento, processo e responsabilidade

Atualizado: 27 de jan.

Existe um pensamento quase inevitável nessa época do ano: e se eu não jogar… e todo mundo ganhar?


Quando alguém próximo te chama para um bolão, a decisão raramente passa pelo valor da aposta. Ela passa por um medo silencioso, mas muito concreto: o de ficar de fora.


Ficar de fora da história, da celebração, da mudança de vida coletiva. Porque o cenário que a mente cria é sempre o mesmo: você recusou para economizar, seguiu sua rotina normalmente… e todos os seus colegas de trabalho, amigos ou familiares ficaram ricos.


E você ficou. Não por azar. Mas por escolha.


Por isso, o convite para um bolão é quase uma sentença de confirmação obrigatória. Não participar custa mais emocionalmente do que participar. Não é sobre probabilidade. É sobre pertencimento, arrependimento antecipado e narrativa compartilhada.


Quando o prêmio da Mega da Virada se aproxima da casa de R$ 1 bilhão, esse comportamento se intensifica. Pessoas que não apostam o ano inteiro passam a apostar.


Grupos se formam. Conversas surgem. A lógica racional dá lugar à emoção coletiva do “e se der certo?”. Segundo estimativas, a arrecadação cresce exponencialmente justamente por esse efeito psicológico. Não é sobre matemática. É sobre comportamento humano.


Mas o que mais me chamou atenção este ano não foi o valor do prêmio. Foi o que aconteceu quando organizei um bolão entre amigos.


Não como serviço. Não como negócio. Sem cobrança, sem lucro, sem obrigação contratual.


Ainda assim, o que emergiu foi uma aula prática de Sucesso do Cliente que muitas empresas ignoram.


Mega da Virada Bolão


Como o bolão da Mega da Virada e Sucesso do Cliente revelam padrões reais de comportamento humano


Organizamos um bolão que finalizou com 88 cotas.

As regras eram claras.

O processo foi explicado.

As instruções foram repetidas.

Os prazos foram comunicados.

A maioria das pessoas seguiu tudo corretamente.


Confiou no processo, executou, confirmou, participou.


Mas uma parcela não leu, não seguiu, não confirmou e, mesmo assim, esperava que alguém resolvesse depois.


Mesmo sem ser um serviço prestado, sem pagamento por gestão, sem promessa de responsabilidade total, algumas pessoas transferiram automaticamente a responsabilidade para quem estava organizando.


Esse comportamento é idêntico ao que acontece em empresas com clientes.


Sucesso do Cliente não é fazer pelo outro


O bolão da Mega da Virada e Sucesso do Cliente partem do mesmo princípio comportamental: pessoas não falham por falta de interesse, mas por falta de clareza, alinhamento de expectativa e entendimento do próprio papel no processo.


Existe uma confusão recorrente no mercado: acreditar que Sucesso do Cliente é assumir o erro do cliente. Não é.


Sucesso do Cliente é criar clareza suficiente para que o cliente consiga ser bem-sucedido por conta própria, dentro de um processo estruturado.


No bolão, o processo existia. A comunicação existia. A repetição existia.


O que não existia era a obrigação de correr atrás de quem escolheu não seguir.

Quando o processo é claro, a responsabilidade também é do participante. Esse ponto costuma gerar desconforto, mas é justamente ele que sustenta experiências saudáveis no longo prazo.


Comunidade não elimina processo. Ela exige ainda mais clareza.


Existe uma romantização perigosa da ideia de comunidade, como se ela fosse sinônimo de improviso ou flexibilidade infinita. Não é.


Comunidade só funciona quando há regras claras, rituais repetidos e responsabilidades bem distribuídas. Caso contrário, vira ruído, frustração e sensação de injustiça.


No bolão, se eu abrisse exceção depois do prazo, quebraria a confiança de quem fez tudo certo. Nos negócios, o efeito é o mesmo. Sucesso do Cliente não é agradar todo mundo. É preservar a coerência da experiência.



O medo de ficar de fora e o poder invisível do pertencimento


Existe um componente silencioso que explica por que, nessa época do ano, é quase impossível dizer “não” a um bolão: o medo de ficar de fora.

Não fora do prêmio. Fora do grupo, da experiência e da narrativa compartilhada.


Quando alguém próximo te chama para participar de um bolão, a decisão raramente é racional. Ninguém calcula probabilidade, valor esperado ou chances reais.


A pergunta que surge é outra: e se eu não entrar?  Porque o custo percebido não é financeiro. É simbólico.

É a possibilidade de assistir de fora uma história que todos os outros viveram juntos. Esse mesmo mecanismo opera diariamente em marcas e serviços bem-sucedidos.


Nir Eyal descreve esse fenômeno ao falar do pilar da tribo na formação de hábitos. O pertencimento cria um tipo específico de vínculo: o vínculo da perda potencial. A pessoa não permanece apenas pelo benefício funcional do produto, mas pela sensação de que não estar ali significa perder algo que os outros estão vivendo.


É exatamente assim que determinados produtos, eventos, plataformas e serviços se tornam difíceis de abandonar. O cliente não quer apenas o objeto. Ele quer continuar fazendo parte da conversa, da comparação, da experiência coletiva. Ele quer evitar o desconforto de ouvir “você não viu?”, “você não participou?”, “você ficou de fora?”.


Em marcas maduras, essa lógica aparece quando o cliente sente que cancelar o serviço não significa apenas economizar dinheiro, mas abrir mão de uma vivência compartilhada, de um status simbólico ou de uma continuidade emocional. A permanência passa a ser menos sobre utilidade imediata e mais sobre identidade e pertencimento.


No bolão, ninguém quer ser o único que recusou e depois precisou conviver diariamente com quem ganhou. Nos produtos e serviços, ninguém quer ser o único que não participou do evento, da funcionalidade, da edição especial ou da experiência que todos comentam.


Mas há um ponto fundamental: pertencimento atrai, mas não sustenta sozinho. Ele cria entrada emocional, mas a permanência exige estrutura. Quando marcas se apoiam apenas no medo de ficar de fora, sem processo claro, sem entrega consistente e sem responsabilidade compartilhada, o mesmo gatilho que engajou pode se transformar em frustração.


O bolão deixa isso explícito. Todos querem participar. Nem todos querem seguir o processo. E é justamente nesse ponto que pertencimento precisa caminhar junto com clareza, regra e responsabilidade individual.


Alinhamento de expectativa é transferência consciente de responsabilidade


O erro não foi alguém ficar de fora. O erro seria assumir a responsabilidade por algo que foi explicitamente transferido ao participante.


Em Sucesso do Cliente, isso é maturidade de jornada. Quando você desenha um processo claro, comunica, repete e ancora expectativas, você permite que o cliente entenda o que depende dele.


No bolão, quem seguiu participou. Quem não seguiu, não participou. E o processo permaneceu íntegro.


Essa lógica protege a experiência coletiva.


O paralelo direto com retenção e valor percebido


Quando o cliente entende o processo e participa ativamente, o valor percebido aumenta. Quando ele ignora o processo e espera compensação, o valor vira cobrança.


Empresas que confundem isso criam clientes dependentes, pouco engajados e sempre insatisfeitos. Empresas maduras criam clientes responsáveis, conscientes e participativos.


No bolão, não houve churn, mas houve aprendizado. No negócio, esse aprendizado define quem fica, quem indica e quem confia.


O que isso conecta com o que eu defendo no livro


Em O Código da Retenção, defendo uma ideia central: retenção não nasce de esforço unilateral da empresa.


Ela nasce quando:

  • o processo é claro

  • a expectativa é alinhada

  • a responsabilidade é compartilhada

  • e o cliente entende seu papel na jornada


Quando isso acontece, o cliente não se sente abandonado. Ele se sente respeitado.


O bolão da Mega da Virada foi apenas um espelho. Um experimento social simples que revelou, na prática, o que acontece quando processo existe, mas nem todos escolhem segui-lo.


E isso diz muito mais sobre Sucesso do Cliente do que qualquer framework bonito.




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